Leandra Leal apresenta peça em BH

Espetáculo em cartaz no Sesc Palladium nos dias 23 e 24 de março tem no elenco Cláudia Abreu, Leandra Leal, Rodrigo Pandolfo e Luiz Henrique Nogueira

Por Laura Oliver

22/03/2019 às 08:08

Publicidade - Portal UAI
Foto: Panoramica-insana / Divulgação.

“Expectativa nunca é uma coisa boa. Melhor se abrir para o presente”, avisa Leandra Leal. Pi – Panorâmica Insana, espetáculo dirigido por Bia Lessa em que a atriz divide a cena com Cláudia Abreu, Rodrigo Pandolfo e Luiz Henrique Nogueira chega para a temporada em BH, nos dias 23 e 24 de março, cheio de credenciais convidativas.

Para começar, foi dirigido por Bia Lessa. Sendo assim, quem viu a versão que ela fez para o teatro do clássico de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas certamente já espera por algo. Tem mais: Pi venceu prêmio de melhor montagem de 2018 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Mesmo assim, como recomenda Leandra, nada de expectativas. Ok?

“É um espetáculo muito impactante. O texto, o visual. Toca em questões muito atuais”, adianta. A panorâmica do título remete a isso. Uma das propostas da nova criação de Bia Lessa, por exemplo, é lançar um olhar panorâmico sobre o homem contemporâneo. É, portanto, uma jornada insana, porém necessária.

“Me comove. Fala de algo que a gente precisa discutir. A peça questiona o caminho que a humanidade tomou e que está dando errado. É um tapa na cara das pessoas”, explica Leandra. A dramaturgia, assinada por Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant’anna, com citações de Franz Kafka e Paul Auster, foi especialmente desenvolvida ao longo dos ensaios. Os autores se basearam em pessoas e dados reais para escrever. O texto é todo fragmentado como, aliás, é o mundo de hoje, né?

Improvisos

Como se trata de Bia Lessa no comando, os atores se jogaram em longas sessões de improviso. Afinal, esta é uma característica do processo de criação dela. Leandra Leal diz que é, claramente, o desenvolvimento da pesquisa que a diretora vem apresentando. Ou seja, Lessa se interessa pelo risco, pela relação orgânica entre música, ruídos, texto e voz; por entregas viscerais do elenco, de corpo e alma.

“A Bia conduziu o processo de uma forma muito colaborativa. Tinha muito claro o que queria. Aquilo que não era pertinente era facilmente descartado. Fiquei muito à vontade no trabalho e com muita confiança. É muito precisa na direção. Diz o que cada um precisa ouvir”, conta Leandra Leal. À medida em que a atriz vai falando da peça, a impressão que deu, para quem estava do outro lado da linha, era de que a saudade do palco só aumentava. “Já estou doida para voltar”, confirmou.

 

Foto: João Caldas/Divulgação

O convite

Quem convidou Leandra Leal para integrar o elenco de Panorâmica Insana foi Cláudia Abreu. Ou melhor, Cacau, como diz a amiga. O ano era 2012. O local? Os bastidores da novela Cheias de Charme. Foi entre uma cena e outra de Chayene e Rosário, que Cláudia comentou com Leandra os planos de voltar ao teatro. O retorno se deu em grande estilo em 2018. “Desde o primeiro momento eu super quis fazer. Foi bom ter levado esse tempo. A Bia entrou para o projeto. Foi muito diferente de pegar um texto que já existia. Partimos de assuntos que gostaríamos de tocar e aí fomos chegando nesse lugar”, conta.

Pi – Panorâmica Insana fala, por exemplo, sobre o indivíduo, a civilização, sexualidade, política, violência, nação, miséria, riqueza, consumo desenfreado, gênero e desejo. O cenário da peça é praticamente uma instalação com muitas roupas. Muitas mesmo.

O palco

O espetáculo estreou no dia 01 de junho de 2018 em São Paulo. Ao longo dos dois meses em que ficou em cartaz, colecionou críticas positivas. A primeira temporada foi em um teatro que estava abandonado. Pelos vídeos que circulam pela internet, dá para ver, por exemplo, que o público tinha uma relação de muita proximidade com os artistas. Entretanto, em BH será diferente.

A peça estará em cartaz no Sesc Palladium, que é grande e bem comprido. Por isso, o local costuma afetar e muito as criações teatrais. Dessa forma, temos motivos extras para seguir à risca a primeira recomendação de Leandra Leal. Em resumo: menos expectativa e mais presente!

 

 

Foto: João Caldas/Divulgação